DMRI: Degenerescência Macular Relacionada com a Idade — O Que Deve Saber?
Saúde Visual, Dicas e Cuidados
16/09/2026

DMRI: Degenerescência Macular Relacionada com a Idade — O Que Deve Saber?

DMRI: Degenerescência Macular Relacionada com a Idade — O Que Deve Saber?

A visão vai mudando ao longo da vida, mas algumas alterações não devem ser encaradas simplesmente como uma consequência normal da idade.

Uma delas é a Degenerescência Macular Relacionada com a Idade (DMRI), uma doença que afeta a região central da retina e que pode comprometer tarefas tão importantes como ler, reconhecer rostos, conduzir ou distinguir pequenos detalhes.

Nas fases iniciais, pode existir sem provocar sintomas evidentes. Por isso, conhecer os sinais e acompanhar regularmente a saúde ocular ganha particular importância com o avançar da idade.


O que é a mácula?

A retina é o tecido sensível à luz situado no fundo do olho. No centro da retina encontra-se uma pequena região chamada mácula.

É esta zona que nos permite ver com maior detalhe aquilo para onde estamos diretamente a olhar.

É graças à visão macular que conseguimos, por exemplo:

  • ler letras pequenas;
  • reconhecer um rosto;
  • ver detalhes ao conduzir;
  • distinguir cores e pormenores;
  • realizar tarefas de precisão.

Na DMRI, são precisamente as estruturas desta região central da retina que vão sendo afetadas.


O que é a DMRI?

A Degenerescência Macular Relacionada com a Idade é uma alteração da mácula associada ao envelhecimento.

A doença não evolui da mesma forma em todas as pessoas. Em algumas, as alterações permanecem relativamente estáveis durante bastante tempo; noutras podem progredir e provocar uma redução significativa da visão central.

Um aspeto importante é que a DMRI não costuma provocar perda da visão periférica. Isto significa que uma pessoa com doença avançada pode manter capacidade para se orientar no espaço, embora tenha grande dificuldade em ver os detalhes que se encontram diretamente à sua frente.


DMRI seca e DMRI exsudativa: qual é a diferença?

Habitualmente distinguem-se duas formas principais.

DMRI seca ou atrófica

É a forma mais frequente e, em muitos casos, apresenta uma evolução mais lenta.

Pode estar associada ao aparecimento de drusen, pequenos depósitos que se acumulam sob a retina, bem como a alterações progressivas das estruturas da mácula.

Nem todas as pessoas com drusen desenvolvem perda visual importante. A dimensão, quantidade e características destas alterações, entre outros fatores, ajudam o oftalmologista a avaliar o risco e o estádio da doença.

DMRI exsudativa ou neovascular

É frequentemente conhecida como DMRI húmida.

Nesta forma desenvolvem-se vasos sanguíneos anómalos sob ou junto à retina. Estes vasos podem permitir a saída de líquido ou sangue, afetando a mácula.

Embora seja menos frequente, pode provocar uma deterioração da visão central muito mais rápida.

Existem atualmente tratamentos, nomeadamente medicamentos anti-VEGF administrados por injeção intraocular, que podem controlar a atividade da doença em muitos casos. A decisão e acompanhamento pertencem ao oftalmologista.


Quais são os sintomas da DMRI?

Nas fases iniciais pode não existir qualquer sintoma.

Com a progressão podem surgir alterações como:

  • visão central desfocada;
  • dificuldade crescente em ler;
  • necessidade de mais iluminação;
  • dificuldade em reconhecer rostos;
  • menor perceção de contraste;
  • cores que parecem menos intensas;
  • uma mancha ou zona vazia no centro da visão;
  • distorção das imagens.

Um dos sintomas mais importantes é a metamorfopsia.


O que é a metamorfopsia?

Metamorfopsia significa que aquilo que deveria parecer direito começa a parecer ondulado, torto ou deformado.

Por exemplo, as linhas dos azulejos, o contorno de uma porta ou as linhas de uma folha pautada podem deixar de parecer direitas.

Este tipo de alteração, sobretudo quando surge recentemente ou se agrava, deve ser valorizado, pois pode estar associado a alterações da mácula que necessitam de avaliação oftalmológica rápida.

O que é a grelha de Amsler?

A grelha de Amsler é uma grelha formada por linhas horizontais e verticais com um ponto central.

Pode ser utilizada para monitorizar alterações da visão central em determinadas pessoas com risco ou diagnóstico de doença macular.

Cada olho é observado separadamente, mantendo a correção habitual para perto quando necessária.

Ao olhar para o ponto central, deve estar-se atento a alterações como:

  • linhas onduladas;
  • zonas em falta;
  • quadrados deformados;
  • áreas escuras;
  • diferenças relativamente ao que era habitual.

A grelha de Amsler pode ser útil na monitorização, mas não permite diagnosticar nem excluir uma DMRI e não substitui uma avaliação ocular.

Uma alteração nova deve motivar contacto com o profissional de saúde que acompanha o caso.


Quem tem maior risco de desenvolver DMRI?

O principal fator de risco é a idade, sobretudo a partir das décadas mais avançadas da vida.

Outros fatores associados a maior risco incluem:

  • antecedentes familiares de DMRI;
  • tabagismo;
  • alguns fatores cardiovasculares, como hipertensão arterial;
  • determinados fatores genéticos;
  • estilo de vida e alimentação.

O tabagismo é um dos fatores modificáveis mais consistentemente associados à doença. A atividade física, uma alimentação equilibrada e o controlo da pressão arterial e do colesterol fazem também parte das medidas gerais de promoção da saúde.


Os suplementos previnem a DMRI?

Não é correto assumir que qualquer suplemento para os olhos previne a DMRI ou que deve ser tomado por todas as pessoas a partir de determinada idade.

As formulações estudadas nos ensaios AREDS/AREDS2 demonstraram benefício em grupos específicos de pessoas que já apresentavam determinados estádios da doença.

A sua utilização deve, portanto, ser decidida de acordo com o diagnóstico e o risco individual, idealmente sob orientação do oftalmologista. Não devem ser iniciadas apenas porque alguém tem mais de 50 ou 60 anos.


Porque é importante avaliar a retina?

Algumas alterações maculares podem ser observadas antes de existirem sintomas suficientemente evidentes para que a pessoa perceba que algo mudou.

Durante uma avaliação visual, determinados sinais ou queixas podem justificar uma observação mais detalhada da retina ou encaminhamento para avaliação oftalmológica.

A vigilância ganha particular importância perante fatores de risco, alterações previamente identificadas ou mudanças recentes na visão central.

 

Qual é o papel da retinografia?

A retinografia permite obter uma fotografia do fundo do olho, documentando estruturas como a retina, a mácula, os vasos sanguíneos e o nervo ótico.

Pode ser útil para:

  • documentar o aspeto da retina;
  • identificar alterações que devam ser investigadas;
  • comparar imagens ao longo do tempo;
  • complementar a avaliação visual;
  • facilitar o encaminhamento quando existem achados suspeitos.

No entanto, uma retinografia isolada não permite excluir todas as alterações maculares nem substitui uma avaliação oftalmológica completa.

Quando existe suspeita de DMRI, podem ser necessários outros exames, como a tomografia de coerência ótica (OCT), entre outros, determinados pelo oftalmologista.

 

Quando deve procurar avaliação rapidamente?

Algumas alterações justificam particular atenção:

  • aparecimento recente de linhas onduladas ou distorcidas;
  • surgimento de uma mancha na zona central da visão;
  • redução súbita ou rápida da visão central;
  • diferença nova e evidente entre a visão dos dois olhos;
  • aumento rápido de uma zona desfocada ou deformada.

Uma mudança repentina da visão não deve ficar à espera da próxima consulta de rotina.

Quando existe suspeita de uma forma neovascular de DMRI, a rapidez da avaliação é particularmente importante porque esta pode evoluir em dias ou semanas.

Ver bem hoje não significa que não existam alterações

Algumas formas iniciais de DMRI podem desenvolver-se sem sintomas percetíveis.

Por isso, a avaliação da visão não deve limitar-se apenas a verificar se é necessário mudar a graduação dos óculos.

À medida que envelhecemos, acompanhar também a saúde ocular e estar atento a alterações na visão central pode permitir identificar mais cedo situações que necessitem de investigação.


Nas Óticas Minho, realizamos avaliação visual e, quando indicado, podemos complementá-la com retinografia. Perante alterações ou sinais que necessitem de investigação adicional, recomendamos o respetivo acompanhamento ou encaminhamento.

Estamos em Braga, Fraião (em Braga), Guimarães e Amares.

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Entidades registadas na ERS: Braga — E135283 | Fraião — E135285 | Guimarães — E135284 | Amares — E135282

 

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