Alergias oculares estão a aumentar: como proteger os olhos no dia a dia
Saúde Visual
17/06/2026

Alergias oculares estão a aumentar: como proteger os olhos no dia a dia

Alergias oculares: um problema cada vez mais comum

Olhos vermelhos, comichão, lacrimejo, sensação de areia ou irritação frequente são sintomas que muitas pessoas associam apenas à primavera. No entanto, as alergias oculares parecem estar a tornar-se mais comuns, mais intensas e, em alguns casos, mais persistentes ao longo do ano.

Um artigo recente publicado pela Healio destaca precisamente esta tendência: as épocas de pólen estão a começar mais cedo e a terminar mais tarde, aumentando o tempo de exposição aos alergénios. Além disso, fatores como poluição, alterações climáticas, partículas no ar, incêndios, maior utilização de ecrãs e alterações no filme lacrimal podem contribuir para o agravamento dos sintomas.

Na prática, isto significa que a alergia ocular já não deve ser vista apenas como um incómodo passageiro. Em muitas pessoas, pode afetar o conforto visual, o uso de lentes de contacto, a concentração no trabalho ou na escola e a qualidade de vida.

Quais são os sintomas mais comuns da alergia ocular?

A alergia ocular pode manifestar-se de várias formas. Os sintomas mais frequentes incluem:

  • comichão nos olhos;
  • vermelhidão;
  • lacrimejo;
  • sensação de areia ou corpo estranho;
  • ardor ou irritação;
  • olhos inchados;
  • maior sensibilidade à luz;
  • desconforto com lentes de contacto;
  • necessidade frequente de esfregar os olhos.

A comichão é um dos sinais mais característicos. No entanto, quando existe dor, baixa de visão, secreção intensa ou muita sensibilidade à luz, é importante não desvalorizar e procurar avaliação.

Porque é que as alergias oculares estão a aumentar?

Existem vários fatores que podem ajudar a explicar este aumento.

1. Épocas de pólen mais longas

Com alterações nas estações e temperaturas mais elevadas, algumas plantas libertam pólen durante períodos mais prolongados. Isso significa mais tempo de exposição para quem é sensível a pólenes, gramíneas ou outras partículas ambientais.

2. Poluição e partículas no ar

A poluição pode agravar a irritação da superfície ocular. Partículas suspensas no ar podem aderir ao pólen e facilitar o contacto com a conjuntiva, tornando a reação alérgica mais intensa.

3. Vento, poeiras e ambientes exteriores

Dias de vento, maior concentração de pólen ou poeiras no ar podem aumentar o contacto dos alergénios com os olhos. Por isso, muitas pessoas sentem agravamento dos sintomas quando passam mais tempo no exterior.

4. Ecrãs e olho seco

O uso prolongado de telemóveis, computadores e tablets reduz a frequência do pestanejo. Quando pestanejamos menos, a lágrima evapora mais rapidamente e a superfície ocular fica mais vulnerável.

Isto pode criar uma combinação muito comum: olho seco, irritação e alergia ocular ao mesmo tempo.

5. Ar condicionado e ambientes interiores

Ar condicionado, ambientes secos, poeiras domésticas e contacto com animais também podem contribuir para sintomas persistentes, mesmo fora da primavera.

O erro mais comum: esfregar os olhos

Quando os olhos têm comichão, o impulso natural é esfregar. Mas este gesto pode piorar o problema.

Esfregar os olhos pode aumentar a libertação de substâncias inflamatórias, agravar a vermelhidão e intensificar ainda mais a comichão. Ou seja, cria-se um ciclo: quanto mais esfrega, mais irritação pode surgir.

Além disso, esfregar os olhos com frequência pode ser especialmente prejudicial em pessoas com determinadas alterações da córnea ou predisposição para problemas como o queratocone.

Como prevenir e aliviar os sintomas no dia a dia

A prevenção é uma parte essencial do controlo da alergia ocular. Pequenas mudanças de rotina podem ajudar bastante.

Evite esfregar os olhos

Sempre que sentir comichão, tente resistir ao impulso de esfregar. Em alternativa, pode recorrer a medidas como compressas frias ou lágrimas artificiais, quando aconselhadas por um profissional.

Lave mãos e rosto ao chegar a casa

Depois de estar no exterior, especialmente em dias de vento ou maior concentração de pólen, lave bem as mãos e o rosto. Isto ajuda a remover partículas que podem ficar na pele e junto aos olhos.

Tenha atenção ao cabelo antes de dormir

O pólen pode ficar acumulado no cabelo ao longo do dia. Ao deitar-se, essas partículas podem passar para a almofada e ficar em contacto com o rosto durante a noite.

Escovar ou lavar o cabelo antes de dormir pode ser uma medida simples, mas útil, para quem tem alergias frequentes.

Use óculos de sol no exterior

Os óculos de sol não servem apenas para proteger da radiação UV. Também funcionam como uma barreira física contra vento, pólen e poeiras.

Em dias de maior exposição, modelos mais envolventes podem ajudar a reduzir o contacto direto dos alergénios com os olhos.

Faça pausas nos ecrãs

Se passa muito tempo ao computador ou telemóvel, faça pausas regulares e tente pestanejar de forma consciente. A regra 20-20-20 pode ajudar: a cada 20 minutos, olhar durante 20 segundos para algo a cerca de 20 pés, aproximadamente 6 metros.

Hidrate a superfície ocular

Em alguns casos, lágrimas artificiais sem conservantes podem ajudar a diluir e remover alergénios da superfície ocular, além de melhorar o conforto. A escolha do produto deve ser adequada ao caso de cada pessoa.

Evite ambientes muito secos ou com poeiras

Sempre que possível, reduza a exposição a ambientes com fumo, poeiras, ar condicionado intenso ou baixa humidade. Em casa, a limpeza regular e uma boa ventilação podem ajudar.

Lentes de contacto e alergia ocular: cuidados extra

Quem usa lentes de contacto deve ter atenção redobrada. A alergia ocular pode tornar as lentes mais desconfortáveis e aumentar a sensação de secura, irritação ou corpo estranho.

Se notar desconforto persistente, vermelhidão ou intolerância às lentes, não deve insistir no uso sem avaliação. Pode ser necessário ajustar o tipo de lente, o sistema de manutenção, o tempo de utilização ou fazer uma pausa temporária, dependendo do caso.

Quando deve marcar uma avaliação visual?

Deve marcar uma avaliação se:

  • a comichão ou vermelhidão é frequente;
  • sente desconforto ao usar lentes de contacto;
  • os sintomas surgem várias vezes ao longo do ano;
  • tem sensação persistente de areia nos olhos;
  • precisa de usar gotas com frequência;
  • sente dor, fotofobia ou baixa de visão;
  • os sintomas interferem com o trabalho, estudo ou sono.

Nas Óticas Minho, avaliamos a saúde visual e a superfície ocular, ajudando a perceber se os sintomas podem estar relacionados com alergia ocular, olho seco, uso de lentes de contacto ou outros fatores que mereçam atenção.

Quando necessário, orientamos também para avaliação médica especializada.

A prevenção é o primeiro passo

A alergia ocular não deve ser encarada apenas como “olhos vermelhos” ou “comichão passageira”. É uma condição influenciada pelo ambiente, pelos hábitos diários, pela exposição ao pólen e pela saúde da superfície ocular.

Com medidas simples de prevenção, uma boa avaliação e acompanhamento adequado, é possível reduzir sintomas e melhorar significativamente o conforto visual.

Se sente os olhos irritados, vermelhos ou com comichão frequente, marque uma avaliação visual nas Óticas Minho.

ERS: E135283 | E135285 | E135284 | E135282

Fonte de referência: Healio — “Rising rate of ocular allergies calls for collaborative, eco-conscious interventions”
https://www.healio.com/news/ophthalmology/20260616/rising-rate-of-ocular-allergies-calls-for-collaborative-ecoconscious-interventions

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